Sobre fé e transcendência

além da religião

Estamos em suas mãos

ELIANE PINHEIRO

 

Nem as questões relacionadas ao mundo do trabalho, nem a exclusividade das tarefas domésticas, nem nosso gozo e sexo, nem o controle de nosso corpo. A luta feminista mais difícil é desentranhar o patriarcado dos nossos afetos, da nossa forma de amar: nisso, nem Frida, nem Simone de Beauvoir são exemplos. Ainda somos tentadas a escamotear relações abusivas com virtuosos “Mas ele”. Gritar contra a opressão material, concreta, nos empodera, nos fortalece, nos agiganta. O que nos apequena e fragiliza ainda está dentro nós, bem lá no fundo de nós, modelada pelo patriarcado: nossos afetos tortos, nossa forma de amar. Eis o grande poder que ainda damos aos homens: sofrer por eles. “Relevem pequenos abusos, machismos mínimos, sutis misoginias, delicados desprezos, poucas subestimações. É isto ou a solidão”, ameaça a menina interior que fomos criadas pra ser. Quanto o quesito é afeto, a libertação é um doloroso parto.
(E mesmo as lésbicas perigam repetir esse padrão do papel macho – fêmea, pai – mãe, provedor – dependente).

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