Sobre fé e transcendência

além da religião

SOBRE DESEJO

ELIANE PINHEIRO

 

Por que tinha que ser virgem, a santa? Por que as santas devem ser virgens? Castas de toque de outro, do toque secreto de si, dos pensamentos? Porque quanto menos prazer, quanto menos amores, quanto menos gozo, mais a vida se enche de tanto faz, mais prontamente se diz Sim, eis-me aqui.
Só se domina desejo que não existe.
Porque desejo mesmo
que arde
todas sabem: são indomáveis.

 

 

 

 

“Sou homem”, absolve-se o santo homem de deus, arrependido.
Adulterou, fornicou, assediou, abusou, estuprou. Não importa.
A graça do Senhor é infinita. “Pecador sou, careço de perdão”. Levanta-se com o passado apagado, seu gozo é abençoado pela misericórdia abundante de deus. Não o dos gays. Não o das travestis, não o das lésbicas e bissexuais, não o da puta que o fez pecar. Abominação é.
Apela à sua miserável condição humana, sob incontáveis arrependimentos sinceros: o Senhor já nem se lembra mais. Recorre à humanidade para si. Jamais para humanizar. As outras, os outros, que queimem no inferno: em morte e aqui.

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